Um pouco mais de Amanda Cardoso. EU NÃO LEVO DESAFORO PARA CASA
- 5 de jul. de 2021
- 3 min de leitura
Quando eu adolescente, era o tipo de pessoa classificada como "pavio curto", mas sinceramente, não me arrependo das vezes que perdi a paciência.
Lembro que eu emprestava dinheiro para meus irmãos e combinava com eles a data de devolução, e minha reação quando eles não cumpriam o combinado era explosiva. Eu não fica brava só pelo dinheiro, mas pelo combinado, pelo compromisso.
Eu já estive essa pessoa, a que não leva desaforo pra casa, e estou no processo de perceber ela, e o quanto estar ela me afeta.
Tudo era motivo para briga... eu era a que usava a famosa frase “dou um boi pra não entrar em um briga, mas dou uma boiada para não sair.”
Mesmo que a situação não me envolvesse,eu expressava o que eu achava e essa questão era muito pesada para mim.
Mas por que? Porque eu observava o problema do outro e aquilo de alguma forma mexiam com os meus sentimentos e aí tinha que me posicionar. Efeito dominó, além de lidar com o problema do outro, com um problema que eu estava observando, aquilo me corroia, me incomodava.
Eu estava ali com a cabeça "fervendo", pulsando no pescoço para falar.
No entanto as pessoas ao redor me “enchendo o saco” incomodava, pois falavam que eu não poderia agir daquele jeito e que eu estava exagerando no meu comportamento e no modo de responder.
Mas, quando será que agir assim é um problema?
Um bom medidor é notar a reação dos outros: se seus amigos evitam falar alguma coisa com medo da sua reação, de como você vai responder, é um sinal de é preciso mudar sua atitude. E isso aconteceu comigo.
Hoje, após anos de prática de Mindfulness, entendi que as coisas nem sempre acontecem da maneira que queremos e, principalmente que, as pessoas nem sempre se comportam da maneira que achamos que elas deveriam.
Comecei a perceber que nem tudo eu preciso entrar “na briga” e que cada um tem o direito de ser e agir como bem entender, descobri e aceitei que não sou a dona da verdade e hoje consigo dar um passo para trás, respirar e pensar se realmente determinadas ações merecem que eu gaste minha energia diante daquela discussão.
A prática de mindfulness me ajuda a perceber os sinais que meu corpo emite (até então ignorados) como aumento dos batimentos cardíacos, minhas mãos tremem, ficam suadas e a partir disso entendo que algo não está bem, e que posso escolher o que fazer, reagir de forma impulsiva, sem pensar ou respirar e realmente escolher o que vou falar, ou ainda, permanecer em silêncio.
ISSO NÃO significa que virei “Buda” ou que não brigo mais com ninguém, mas
que comecei a praticar o desapego, entender que a vida do outro é do outro. Por mais que aquela situação de alguma forma mexesse comigo. Com este passo que eu dava pra trás, eu me observava para identificar em mim o porquê aquilo me incomodava tanto. E aí eu colocava em prática, a autocompaixão,que não fazia muito sentido para mim,pois sempre fui muito autocrítica. Mas como diz Shauna Shapiro:" O que você pratica, fortalece".
Eu aprendi a fortalecer minha autocompaixão e entender que eu também posso errar.
Hoje quando recebo uma crítica, eu tento observar de forma amorosa, sem julgar.
Também não me meto mais na vida das pessoas,se alguém chega para mim,eu penso se quero responder ou não,aprendi a identificar também quando a pessoa só quer uma escuta e não preciso responder, só escutar,uma escuta atenta e amorosa,sem colocar a minha opinião ou verdade em tudo.
E aquele peso que carregava antes do Mindfulness, já não carrego mais!




Comentários